Dispositivo desenvolvido no IFRJ amplia acesso ao ensino do sistema Braille

O pedido de patente do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) número BR 10 2024 008048-3 A2 intitulado “Dispositivo e método digital de ensino Braille” foi publicado pelo INPI em 28 de outubro de 2025. Isso significa que o período de sigilo de 18 meses da invenção terminou e o INPI torna público seu conteúdo. Dessa forma, pessoas interessadas poderão acessar o relatório descritivo, reivindicações, desenhos etc. Esse é mais um passo do trâmite normal rumo à concessão da patente.
O equipamento, apresentado em eventos científicos com o nome “EducaBrailler”, é uma ferramenta educacional de baixo custo criada para apoiar o ensino e a decodificação do sistema Braille por pessoas videntes, com baixa visão, cegas e surdocegas. O dispositivo é composto por uma caixa com três divisórias fixadas em uma base que abriga um teclado tátil com botões contrastantes. A divisória central contém alto-falantes, amplificador e saídas para fones de ouvido, que verbalizam, por meio de voz sintetizada, o som da letra correspondente em Braille acionada. Ao pressionar os botões referentes aos pontos da cela Braille, o usuário ativa LEDs indicadores e motores táteis, o que permite que pessoas cegas e surdocegas percebam a configuração das letras de forma sensorial.
Idealizado pelo professor Leonardo Luis da Silva Nardi, do Campus Nilópolis, o projeto começou a ser desenvolvido em 2019, inspirado em cursos realizados no Instituto Benjamin Constant (IBC) sobre leitura, escrita e produção de material didático voltado à deficiência visual. A iniciativa evoluiu a partir de diferentes protótipos até chegar à versão atual, agora patenteada.

“Por se tratar de uma iniciativa de inovação tecnológica e social, de baixo custo, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, 9 e 10, o projeto tem potencial de democratizar o acesso a ferramentas pedagógicas, como o ensino do Braille, contribuindo para a inclusão social, o desenvolvimento educacional e a autonomia de pessoas cegas, com baixa visão e surdocegas”, destaca o professor Leonardo Nardi.
O diretor-geral do Campus Nilópolis, Thiago Matos Pinto, também reforçou o impacto social da criação:
“Projetos como o EducaBrailler representam exatamente o que acreditamos para o futuro do IFRJ: ciência e tecnologia a serviço da inclusão e da transformação social. É um exemplo de como a pesquisa aplicada pode gerar soluções concretas, acessíveis e de alto impacto para a educação pública. Quando promovemos a inovação com propósito, unimos o conhecimento técnico ao compromisso humano de garantir que ninguém fique para trás.”
Com o EducaBrailler, o IFRJ reafirma seu compromisso com a inovação inclusiva, promovendo a ciência e a tecnologia como instrumentos de autonomia, acessibilidade e equidade educacional.